quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Rain on my head
O quê, é outono? Como assim, "já é outono"? Acabou-se o verão? Digam-me que não se acabou tudo, não se passou tudo tão depressa. Não pode ser outono!
Como foi acontecer isto? Sentei-me a fazer a tese algures na primavera e quando a termino e abro os olhos passou-se uma nova estação inteira e de repente entrou o outono? E onde fica mais uma vez o meu verão? Se o tempo que fica para trás já não volta, e no caso deste verão nem o vi nem o senti e nem o vivi, então estou a perder vida, senhores, estou a perder vida. Mais uma vez, como é que isto foi acontecer?
Cheguei a esta casa em outubro, havia ainda alguns dias quentes, mas já cheirava a tempo frio. Já não havia nada a fazer por esta zona fantástica a não ser esperar ansiosamente pela primavera. E ela chegou tão rápido! E eu tão enclausurada em casa!
Tínhamos planos para usar a varanda, ou pelo menos eu sonhava em passar lá uns serões românticos, a não fazer nada, a aproveitar os serões como casais normais amorosos quando as noites quentes chegassem. Imaginava os dias a romper com sol e nós a ir dar uma volta ao parque verde, de mão dada, ao encontro das dezenas de pessoas que já lá estão pela manhã. Ansiava por todos os fins de semana, esses dias maravilhosos pelas esplanadas, relva, petiscos, conversas, passeios. E a praia? Pensava mesmo que era este ano que iria à praia a sério. Fiquei profundamente triste porque pensei realmente que iria, pela primeira vez em cinco anos, passar o verão na praia com o meu namorado. Já foram cinco, nem dá para acreditar. Mas nem fui à praia a sério nem fui à praia. Não fui. Em consequência disso a minha saúde está como está. A física e a mental...
Não tenho nada contra o outono. Pelo contrário, e até basta espreitar posts meus por esta altura nos anos anteriores, sempre adorei o espírito de recomeço nesta época, o cheiro do tempo a mudar, a mudança e nostalgia maravilhosa destes dias, a luz dourada fantástica que paira no ar quase todos os dias. Mas este ano? Nem cheiro nada disso nem consigo sentir uma ponta de alegria, como se me tivesse sido sugada durante todo o verão trancada em casa. Ver o verão pela janela e de repente ele terminar e dar o lugar ao outono. Custa-me a aceitar e não tenho conseguido superar.
Agora que terminei, precisava de ir aproveitar um pouco do verão que perdi. Não posso acreditar que deixei passar mais um. E os anos de vida que se ganham na praia? E os convívios? E as noites de festa que não fiz? E as roupas leves que não saem do armário há 2 anos? (???) E todas as alegrias e todo o descanso? Onde fica tudo o que não se viveu? Fico para lá de confusa com o que se está a passar e nada disto faz sentido. O outono foi simplesmente um aviso para ver se acordo para a vida e a agarro de uma vez por todas. Estes anos todos que passaram não podem ter sido em vão, porque apesar de perdidos hão-de servir-me de lição. Resta-me estudar ao milímetro o que é que está mal e o que está a mais no meio disto tudo, e finalmente tomar medidas.
Hoje acordei e estava a chover. Foi como se chovesse na minha cabeça, um balde de água fria para eu acreditar que é mesmo verdade. Vou "limpar" as ideias e tomar decisões. Só depois posso voltar a viver.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
*
As temperaturas mais quentes voltaram para se despedir do verão. Está uma noite abafada, de uma lua enorme, que convidam ao passeio perfeito. Não mais um passeio de verão, igual aos muitos que qualquer pessoa já teve nos últimos meses, mas aquele passeio de verão. O último.
A rua mantém-se quente até domingo, depois passa tudo de repente e não volta mais. Hoje queria só deixar aqui marcado que nem sei o que estou a sentir. Às vezes acho que vou deixar de sentir.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Ânsias
A minha irmã ontem contava-me que ia passar a tarde no Freeport e ia aproveitar para arranjar-se e maquilhar-se, porque neste momento tudo o que é sair à rua é uma festa. Ah, sim, ela também está a terminar a tese de mestrado.
Hoje sou eu, que para ir ali à clínica buscar os resultados das minhas análises já estou toda eu acessórios, máscara e roupa a condizer. A festa total, eu vou mesmo à rua. Uma coisa é certa: quando tiver a minha vida de volta acho que vou usar e abusar de tudo o que me possa "embonecar", tudo o que me possa fazer sentir que recuperei deste ano de clausura. É uma coisa que nunca teve nada a ver comigo - pintar antes de sair de casa, preocupar demasiado com pormenores desses, somos daquelas raparigas que não se desenrascam nada mal ao natural e se habituaram ao horror de sair de casa de cara lavada (sim, eu sei que para muita gente só em caso de vida ou morte). Mas esta é uma ânsia que sinto agora, como que de recuperação do tempo perdido, nem que seja para marcar uma transição. Também me apetece mudar radicalmente de cabelo no fim disto tudo, como um ato de liberdade que tanto preciso já que não vou ter outro, mas nisso acho melhor ficar quietinha e ter juízo porque vêm aí muitas reuniões e vida empresarial depois desta fase. Talvez o pinte pela primeira vez na vida, sempre sinto que mudei alguma coisa. Mas isso vai saber a pouco e é apenas simbólico, uma mudança simbólica só para mim e para eu sentir, porque de resto vai ter mesmo mudar muita coisa a sério que não isto.
Words for Life
Remember the past, plan for the future, but live for today. Because yesterday is gone and tomorrow may never come.
- Luke
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Mornings ♥
Há tanto tempo que não me levantava antes das oito da manhã. O sol dourado do amanhecer tem uma beleza indescritível e o movimento das ruas a essa hora um encanto único. E apesar de dormir apenas quatro horas, a vontade de trabalhar a esta hora é outra.
Aqui na minha zona, verdinha, tão bonita, evoluída e simpática, as pessoas e muitas crianças por todo o lado, de ar tão alegre, e as pessoas que se exercitam no amanhecer e as que passeiam os cães antes do trabalho, embelezam o começo do meu dia. Pena que tenha começado na farmácia, como seria de esperar nesta reta final da minha dissertação, mas adorei o movimento, os carros a sair das garagens, passar pelas esplanadas cheias de vida, embora já com mais ar de dias de trabalho e não apenas de férias. Há uma mistura deliciosa de ambos os mundos por estas ruas e eu adoro assistir. Adoraria ainda mais fazer parte dessas rotinas, mas por agora fico-me por observá-las.
Em breve, em breve.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
New week
Aproveitem por mim, por favor, aquela que é a última semana deste verão. [pausa. respira.] Se precisarem de ideias, eu distribuo grátis :)
domingo, 15 de setembro de 2013
E eu que nem estou grávida
Estou a passar por uma fase muito sensível. Não é novidade, tenho muitas fases assim quando estou mais carente, quando tenho saudades de outros tempos, quando não ando a fazer muita coisa de positivo na minha vida, quando penso demais. Mas mesmo assim acho que desta vez está mais puxado que as fases por que já passei antes. Estou mais velha, o que tenho é o mesmo e as dúvidas que tinha antes, quando pareciam já estar ultrapassadas, agora estão, pelo contrário, bem maiores e maiores que nunca. Tenho muitas dúvidas sobre a vida, muitos sonhos por realizar, muitos deles que sinto que são "agora ou nunca" e o tempo passa e eu nem os concretizo nem faço nada que me realize realmente. Vejo outras pessoas a viver os meus sonhos, enquanto que eu, se fosse para ficar a assistir, então que fosse por um bom motivo. Mas eu nem estou a aproveitar (nada, mesmo) nem sinto sequer que fiz bem em fazer este mestrado. Sempre pensei que quando chegasse ao fim ia achar-me uma parva, que tinha sido a melhor decisão e uma boa aposta, que eu teria crescido e me teria enriquecido. Não sinto nada disso, só sinto que foram dois anos em que podia ter feito qualquer outra coisa que realmente me apaixonasse, como um curso que amasse realmente e me elevasse a outro patamar, ou uma experiência enriquecedora no estrangeiro. Porque sinto sempre que não pensei nas coisas como deve ser? Porque sinto que estou sempre a dar desculpas a mim própria e não ir atrás do que gosto só porque é mil vezes mais fácil ficar aqui a ganhar raízes e agradar a todos?
Tem sido uma choradeira pegada, toda eu emocional com tudo, e dúvidas acerca de tudo. É com todas as séries, programas de televisão, fotos de bebés, fotos de boas pessoas a ser felizes, fotos inspiradoras, frases que vejo, artigos que leio. São os mais variados motivos... Tanto vai de um episódio de 90210 ou de Sex and the City (as séries que vejo agora), porque ainda sonho em passar uma temporada em NY ou na Califórnia e todas aquelas experiências me deixam a pensar e pensar, em como será a vida ali, em como tanta gente que conheço já lá esteve, e em como tanta gente conhecida vai para lá e não quer mais voltar. Como seria se eu fosse?
Decorreu a New York Fashion Week até ao fim desta semana e estive grudada nas imagens todos os dias, a paixão de toda aquela gente por Nova Iorque, as bloggers de moda que ali voltaram para aí numa 5ª ou 6ª vez este ano porque também já não vivem sem aquilo e mais uma vez a dúvida... Como seria eu em Nova Iorque? Será que voltava? Será que não me ia perguntar como andei a perder este tempo todo aqui? Em todo o lado lemos que os EUA são a terra de todas as oportunidades. Que quem tem valor, ali chega longe, e que ali tudo é possível. Para juntar às oportunidades de sucesso, veja-se a vida louca e simultaneamente encantadora de Nova Iorque, tão completa e tão cosmopolita, cheia de tudo a acontecer a toda a hora. That's my thing. And I'm dying to live that.
Isto é tudo giríssimo, mas a semana da moda passou esta sexta-feira para Londres e esse é outro "problema". Com os olhos postos na London Fashion Week, salta-me também o coração dos amores que tem por aquela cidade. De uma forma diferente, é uma paixão desmedida que tenho desde a pré-adolescência. Todo o estilo alternativo e a mística à volta da cidade. Todas as características únicas, o patriotismo, o feeling inexplicável que vem de toda uma tradição. O estilo nas roupas, nos bares, nas lojas e no quotidiano tão diferente de tudo o que conhecemos. Daqui parece estranho que lá haja tantos dias cinzentos. Pois a verdade é que essa melancolia é do mais encantador que têm - e numa sondagem que ainda ontem se fez a nível mundial, a ingleses e não-ingleses, sobre o que Londres tem de mais encantador, a resposta que mais vi ser dada foi "the weather!". Incrível, não é? Só quem sente é que sabe, até porque é a cidade que rouba o coração das pessoas. Quem vai, não volta. E só eu sei o que me arrependo por ter 26 anos e nunca ter conseguido arranjar um espaço na minha vida para me mudar para lá uns tempos. Vejo tanta gente a ir lá fazer cursos, ou mudar-se para colégios, mas nunca tive padrinhos para isso... Sempre ficou tudo "para o futuro" e o futuro chegou sempre com muitos problemas e novos objetivos por cá. E chegou tão depressa! O sonho adiou-se e temo que seja tarde demais. Só quando abro as revistas, vejo os blogues, as notícias, vejo filmes, ou quando chega o Natal (!!!), é que se reacende toda a paixão e juro a mim mesma que vou fazer alguma coisa. Mas o quê?
Sinto-me um bocado entalada e muito sensibilizada nesta altura da vida, nesta altura do "tudo ou nada" e do "agora ou nunca". Está certo que nunca se é velho demais para isto ou aquilo, mas há o tempo certo para cada coisa e o meu está a esgotar-se. Já me basta não ter tido convívios durante os últimos anos, não ter feito férias, nada ter viajado, não ter tido sequer amigos nos últimos tempos devido a dedicação total ao trabalho. Sinto-me num desleixe total, num ponto sem sentido. Não posso continuar a perder as oportunidades de viver experiências que me vão permitir sentir-me realizada um dia, porque fui e porque fiz. Porque consegui.
Sei que agora é altura de ligar a tv no programa das danças com os famosos e chorar mais um bocadinho. Sim, até com esse programa tem sido uma choradeira. Com a novela da meia-noite também, com as fotos das pessoas a casar, com um simples cheiro a (já) outono também fico assim. É pelas dúvidas, pela tese que não termina, pela vida que quero recuperar e parece impossível. É por às vezes parecer que não dá mais, que as forças não voltam. Mas elas voltam sempre e vamos continuando... Só falta tomar algumas decisões importantes porque a vida não espera e a minha parece mesmo estar numa maratona.
Good morning, Darling
Um post sentido, na certeza de que em breve teremos de finalmente conseguir tempo para nós e recuperar todo o tempo perdido. As manhãs, todas as manhãs, os dias, com certeza, e todas as noites, tantas noites por aproveitar... Sei que não te vou largar mais. Depois deste ano inteiro a dormir por turnos, e depois dos anteriores já muito parecidos, em que um trabalha de noite e o outro de dia, não posso mais esperar por voltarmos a ser 'normais' dentro da nossa anormalidade fantástica. Não tem sido fácil esperar, e o meu amor acumula-se nesta espera dolorosa. Para o tempo que há-de chegar, e que tem de estar a chegar, e em que nos vamos vingar a cada segundo destes tempos que perdemos. Ou será assim, ou tudo isto não faz qualquer sentido.
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