terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Anxiety

Fico zangada comigo quando acontece isto: dias consecutivos de mente baralhada, noites péssimas, dias que se consomem com dor de cabeça, de costas e de tudo junto, desconcentração total, tentar fazer um pouco de tudo ao mesmo tempo, numa tentativa desesperada de fazer qualquer coisa, e chegar ao fim de cada dia sem ter feito nada. Absolutamente nada de assinalável além das pequenas obrigações domésticas diárias. Apesar de raros, estes dias às vezes aparecem-me assim, em blocos. Ir para a cama todos os dias a pensar que "amanhã é que vai ser", porque há tanto por fazer e pôr em dia - além dos pequenos prazeres pessoais também diariamente adiados - mas depois, pelo meio, ainda atravesso uma noite conflituosa e mal dormida, entre muitos sonhos maus e muito acordar pelo meio... Tudo em direção a uma bela dor de cabeça logo ao acordar, para mais um dia nada produtivo.
E depois desta espécie de inércia (comigo contrariada, nunca consentida), quando os dias se esgotam, de repende voltar-se aos eixos e tentar compensar todo o tempo desperdiçado. Volta a inspiração de novo, uma espécie de motivação que chega e nos salva de não ter assuntos resolvidos. Neste caso, chega mesmo em cima do fim do ano, sem me dar mais espaço para grandes preparações. Queria entrar em 2016 com a casa em ordem, a papelada e os computadores em ordem, a minha cabeça em ordem - a vida arrumadinha, ou um pouco mais organizada e preparada para um novo capítulo. Na verdade, para um novo livro! Mas agora passei os últimos dias a sufocar-me com ressentimentos e sofrimento por tudo o que não aconteceu este ano, tudo o que correu mal e todas as possibilidades de continuar a ver a minha vida passar e desperdicei os últimos créditos para colocar algumas coisas em ordem. Não planeei nada disto, só planeei arrumação, ação e iniciativa, mas o meu inconsciente apoderou-se de mim neste fim de ano. Fui fraca, foi terrível - e com a tpm à mistura não se esperava outra coisa - mas finalmente teve um fim (acho eu!).
Os poderes de uma caminhada entre a natureza, com a paz e serenidade da vista do Tejo ao anoitecer, com uma vista e ambiente inesquecíveis e o cheiro a terra molhada... Totalmente revigorante, e não é um milagre, porque os efeitos da natureza (no seu conjunto de vistas, sons e aromas) sobre o espírito e a mente estão mais que provados. Foi esse o ponto de viragem, esta tarde, aqui no parque da expo.
Agora tenho dois dias. Para organizar o que for mais prioritário, para organizar a cabeça, para me preparar para despedir de mais um ano. Quase apetece perguntar "que ano?" porque passou num dia, mas é melhor não ir por aí. Foi mais um ano com 365 dias e daqui só tenho de retirar lições, daquelas que nenhuma fortuna paga, temos mesmo de ser nós a vivê-las para saber. Que tire então isso de 2015 e vire a meu favor para o resto da vida. Vamos lá inverter isto... Tenho dois dias para me inspirar para essa viragem.

1 comentário:

Green disse...

Espero que consigas a inspiração de que tanto precisas, para essa grande mudança na tua vida.