sábado, 29 de agosto de 2015




Sabes que o verão caminha para o fim quando:

- Volta a escurecer cedo, pensas que ainda vai estar de dia até às 21.30h mas quando voltas das caminhadas da tarde já é de noite;
- Além de estar de noite, quando voltas para casa já está frio;
- O Parque Tejo está a ficar mais castanho que verde e não é pela falta de rega e má gestão atual do parque, mas pelas folhas que caem das árvores;
- Os cafés e mercearias locais voltam, aos poucos, a reabrir (eu podia jurar que a pior sensação do mundo era vê-los a fechar, um por um, e a ir de férias sabe-se lá para onde; afinal é bem mais estremecedor vê-los chegar);
- O prédio volta a ter barulho, os elevadores já andam sem ser só eu a chamar, a garagem já não está deserta, os lugares de estacionamento da rua já não estão todos livres, a própria rua deixou de dormir num silêncio fantasmagórico, já há luzes no prédio da frente e já estou a evitar cruzar-me com a vizinha, que também regressou de férias, e que sempre que me encontrar vai perguntar quando vou afinal de férias, que estou pálida e não tenho idade para continuar a guardar o prédio verão após verão;
- O vento na rua agora é frio;
- Sempre que sais de casa vês carros a chegar e casais a tirar as malas das bagageiras, olhas para eles e apercebes-te de um ar super infeliz e de mal com a vida por estarem de volta (enquanto pensas "quanta ingratidão") e segues o teu caminho a pensar de onde terão chegado;
- A tua fruteira divide-se agora entre pêras e maçãs, tal como em janeiro; desejas secretamente que a mercearia ainda reabra com morangos e nectarinas do fundão, embora sem esperanças, e se queres acreditar que ainda é verão, confirma no frigorífico que tens lá melão ou melancia e aproveita essa grande sorte;
- Já não podes escolher "à vontadinha" a hora da sessão de acupuntura da próxima semana, há outras sessões marcadas e tudo ("é que já estamos a agendar para setembro", explica a rececionista);
- No metro já vês gente que fala a tua língua e nem toda a gente segura um mapa ou várias malas de viagem! E na próxima semana até já vai voltar a ser editado e distribuído o jornal O Metro;
- Entras no Continente e em vez de todo um elaborado set de loiças e mantas para piquenique, chapéus de sol, baldes de praia, bóias, mobília de jardim e infinitas doses de marisco e vinho verde, deparas-te com um avassalador festival de celebração do regresso às aulas;
- Os programas de rotina da TV anunciam que vão recomeçar, os apresentadores estão todos super bronzeados e tão felizes que parece que todos estiveram a casar-se nalgum paraíso e agora estão de volta prontíssimos para três anos seguidos de trabalho se for necessário;
- O teu cabelo cai a uma velocidade assustadora, como há um ano atrás e noutros anteriores, e só te resta aceitar e tentar decifrar se é novamente pelo stresse acumulado de mais um verão inteiro a ver o verão pelas janelas de casa ou se já é a queda "normal" que devia ter início na próxima estação;
- As revistas de moda têm como capa uns apelativos casacos de pêlo, botas, gorros e cores escuras;
- No teu email recebes diariamente propostas para o réveillon perfeito.

2 comentários:

Miss Purple disse...

REveillon, já? Credo ... mas enfim, depressa chegamos lá!
Parece que a cidade vai ganhando vida novamente ...

Green disse...

Verdade, o tempo passa num instante, e o verão passa realmente muito depressa.