quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Não Gosto

 

Espelha-se bem a mentalidade de um país em certas estatísticas. Vê-se bem a falta de ambição e as prioridades um bocadinho trocadas quando ficamos a saber que 44% da nossa população é jogadora da raspadinha. É verdade, 44% dos portugueses vão mesmo a casas da sorte como rotina colocar as suas esperanças de uma vida melhor na raspadinha... E o pior disto tudo para mim é que têm mesmo a esperança de ganhar o prémio grande. Há imensas coisas que me fazem confusão neste hábito mas não posso começar a explicar senão ficaria aqui o dia todo e também não quero ferir suscetibilidades (até porque a probabilidade dos leitores seres também apostadores é de 44% - e já agora, falando em verdadeiras probabilidades, a de ganhar o prémio grande da raspadinha é de 0,00000(...) quanto?) e acima de tudo não tenho muito tempo para isso. Mas assim rapidamente, o mais assustador nestes dados é a forma como a pequena mente do português, infelizmente, não o deixa ser mais que isto. Ter mesmo muita fé nas coisas que valem menos a pena. Ter uma ambição tão pequenina. Querer o melhor pelo mínimo de esforço possível. Querer tudo no imediato, não saber ir plantando para poder colher mais tarde - aqui a falta de estratégia, visão e atitude. O ocupar a mente com desculpas para si próprio, a fingir que está a fazer algo pelo seu futuro, quando sabe que só está a "ir andando". A frase do "quando me sair o euromilhões", que "aí faço isto e isto e mais aquilo e ainda vamos não sei onde" não deve haver em mais lado nenhum como há aqui todos os dias. É das que me faz mais comichão, para ser sincera. Não vou explicar porquê, a frase esconde e revela tanta coisa! E revela muito sobre quem a diz - que é o típico português :)
Nunca vou perceber por que as pessoas esperam pelo euromilhões para vir a fazer seja lá o que for. Muito menos vou um dia perceber que se desiludam porque o prémio não saiu e não puderam ter ou fazer fosse o que fosse! A melhor forma de termos aquilo que quisermos é, claramente, trabalhar para isso. E a nossa verdadeira sorte é que trabalho nunca nos vai faltar. A nossa verdadeira sorte somos nós que a construímos! E este país era tão melhor se houvesse pessoas a saber desta simples e tão óbvia realidade.
Já tinha feito mega post sobre o assunto (esta ligação da nossa cultura do coitadismo e mentalidade de pobre com o euromilhões), por isso não vou mesmo dissertar sobre o assunto. E como já tinha dito, eu não tenho mesmo nada contra quem o faz, cada um esbanja o dinheiro como quer, mas falta-me é a paciência para ouvir quem se queixa continuamente de não ganhar o prémio, é tão ridículo. Tenho, sobretudo, muita pena da mentalidade generalizada ser esta... Que se reflete tão bem na pobre da raspadinha mas está cravadinha em toda a vida deste país (esperar por subsídios, gastar o que não se tem, gastar à bruta naquilo que se acha que é essencial "porque eu preciso mesmo disto" mas dali se fariam umas belas poupanças que seriam TODA a diferença no nível de vida dessa pessoa...) mas vou calar-me! É agora!
A quem as faz, desejo boa sorte nas vossas raspadinhas mas desejo ainda mais que pensem duas vezes e comecem a guardar esse dinheiro numa caixinha a cada vez que vos apetecer ir doá-lo "à sorte". Agradeçam-me depois :)

1 comentário:

Green disse...

Tens tanta razão, mas mesmo tanta razão...