domingo, 9 de agosto de 2015

Continuamos Assim



Há tanto tempo que eu não ia a sério a uma loja de roupa - meses e meses (anos?!), a não ser uma ou outra aqui à porta de casa mas só para "espreitar" ir num pé e sair noutro, nem falo com ninguém, muito menos alguém dos provadores ou da caixa! - que já nem me lembrava desta realidade cómica. Esta semana estive na Primark (Yay!) à procura de uns artigos que não eram para mim, mas a ida ao provador foi inevitável - afinal de contas, é da Primark que estamos a falar. Lá fui experimentar uns leggins e tops de treino a 1,90€ (sim! são os saldos dos saldos!) e eis que ao darem-me a ficha para entrar falam comigo em inglês. Pronto, já tinha saudades! - pensei eu. A minha primeira reação é logo rir, mas também não gozo com a cara deles. Eles dizem-me "hello" e eu respondo, com cara simpática "olá" e eles ficam sempre envergonhados. Só não percebo mesmo por que falam comigo em inglês logo à primeira! Tenho assim tanto cara de inglesa/australiana/filandesa/sueca, sei lá? Podiam, na dúvida, tentar falar primeiro em português e depois se eu respondesse noutra língua, então eles adaptavam. Mas não, é logo em inglês, sempre em inglês. Quando em junho fui comer um gelado no Santini (não vou a lojas há meses/anos mas em junho fiz anos e ganhei o meu único dia de 2015 fora de casa - YAY) fui atendida logo em inglês também, sem hesitar. Respondo em português e eles ficam com cara de quem viu uma assombração.
Mas falava eu da Primark. No fim, quando entregava a chapa do provador e andava a tentar descobrir a saída, vem uma rapariga atrás de mim e outra vez numa língua estranha fala comigo: "can I help you, miss?" e aí já pensei para mim, secretamente, porque a rapariga não tem a culpa "uuuffff, vai ser assim a vida toda??". Mas a culpa é minha, só minha. Posso ter o cabelo desta cor, posso ter os pêlos transparentes e os olhos azuis para sempre, mas a culpa de estar branca e transparente é minha e só minha. Ninguém português em agosto pode ainda não ter metido os pés na praia, certo? Ninguém pode ter as pernas fluorescentes em Portugal a não ser que tenha chegado de outro país qualquer, certo? (e mesmo assim...) Então eles têm razão, toda a razão. E quando eu falei em português devem ter ficado extremamente confusos e a pensar "vá ganhar uma cor menina, que isto faz-lhe mal" e continuam a ter toda a razão. Da próxima continuo a conversa em inglês, pelo menos evito os olhares estranhos e continuo a preocupar-me só eu comigo e com o meu aspeto doente.

1 comentário:

Green disse...

Não penses assim, eu acho que a primeira abordagem deve ser sempre feita em português, afinal estamos em Portugal.