quarta-feira, 1 de julho de 2015

[post grandinho]




Passou-se mais um aniversário, mais uma mudança de ano que começou faz hoje uma semana (véspera do meu dia). Foi uma mini-festa-cigana calminha. Eu gostaria mesmo que os meus aniversários fossem grandes festas ciganas, de vários dias seguidos a aproveitar muita gente, especialmente quando calham assim tão juntinho ao fim de semana, mas este ano foi só passar a noite de véspera, o próprio dia em passeio com o meu amor e em jantar com os pais e três dias depois, ao domingo, a celebrar num almoço em família juntando-me assim ao aniversário do meu irmão.

Nos meus 20's nunca tive uma festa de aniversário. Antes disso também mal posso dizer que o tive (tirando as festinhas de infância) e guardava para os 20's todas as minhas esperanças de ter grandes festas e celebração da amizade! Daqueles jantares normais grandes que toda a gente tem.
Eu, que durante a faculdade sempre quis (e o fiz algumas vezes) organizar jantares fora cheios de amigos e sem motivo quando mais ninguém o fazia, além de querer sempre encher a minha casa de convidados também, é óbvio que o meu dia era uma ocasião a não perder! E os 20's, que ainda são bons 10 anos de aniversário para celebrar à grande (e dez anos ainda são qualquer coisa na vida!!!), ano após ano, tornaram-se na maior desilusão da minha vida em tantos aspetos... e em festas até me custa lembrar. Comecei por não poder nem imaginar festas nos meus 19, 20, 21, 22, porque fazia anos em plena semana de exames de recurso da faculdade (semana intensiva de exames diariamente, à qual eu ano após ano tentava fugir para poder festejar mas em vão!) e a minha melhor amiga, que faz anos no mesmo dia que eu mas mais nova, sempre com GRANDES festas cá em Lisboa nesse dia, a ligar-me intensivamente para me convencer a ir festejar com ela... "Só se vive uma vez", dizia ela, "só fazes 21 uma vez!" lembro-me bem desta. Tão novinha, com os melhores anos para celebrar, e não o fazia... E como eu amava festas e a minha amiga... Se eu soubesse o que sei hoje!... Quantas vezes quase mandei tudo passear e fui para a minha festa... Mas nunca fui, era parva e racional, punha muita pressão em mim, fiquei sempre isolada no meu aniversário nesses anos, houve um que o passei mesmo sozinha, na minha casa podre e escura de Lisboa, em pijama. Terrivelmente triste, nunca poderei esquecer. Mas era uma fase, eu sabia que havia um motivo maior e sabia que a seguir compensava para o resto da vida aquelas perdas que não recuperaria nunca! Só não sabia que tudo se ia tornar ainda pior a partir dali...

Depois desses anos ainda avancei para mais dois anos de mestrado quando o curso acabou (e os exames continuavam a ser na mesma altura) juntei-lhe a tese ao mesmo tempo que me envolvia pelo primeiro ano no nosso grande projeto, a trabalhar num escritório intensivamente nessa altura.
Desde então já tenho conseguido jantar sempre com a minha amiga de véspera para entrarmos no nosso dia juntas, mas nunca cheguei a ter nem a fazer uma festa de anos. Se antes não havia tempo, agora, a cada ano que avança, há ainda menos disponibilidade nesse e noutros aspetos. Agora há ainda menos tempo, ainda menos dinheiro e acabei por me afastar de todos os amigos que tinha. O meu aniversário torna-se assim sempre uma reflexão incontornável de todas as ausências da minha vida, de tudo o que me falta tanto, a minha vida espelha-se na hora de o tentar festejar e tudo parece um fracasso... À exceção de eu estar empenhada a tentar mudar a situação e com perspetivas de alterar tudo isto. Tudo. O que me mantém viva e sorridente é a possibilidade de ver a luz ao fundo do túnel, saber que é possível transformar isto tudo, saber que sou um agente ativo nessa mudança. Além disso, hoje tenho consciência de um novo mundo de conhecimentos que adquiri com esta (dolorosa) experiência de anos, e que adorava (mesmo) ter aprendido quando era adolescente e parvita (e uma pessoa totalmente diferente): que nada é motivo para reclamar, tudo é consequência das nossas escolhas e se não gostamos da realidade só temos de delinear nova estratégia para nós e para o nosso futuro; que ser feliz é muito mais do que ter grandes acontecimentos e grandes conquistas, é aproveitarmos aquilo que podemos ter agora e os pequenas conquistas diárias, ou nunca seremos felizes com nada.

[As minhas aprendizagens e transformações, fruto destes últimos anos, agora dariam dezenas de novos parágrafos, ficam para outra altura!]

Quem me dera ter sabido, no mínimo, destas duas grandes lições antes! Quem me dera que alguém mo tivesse ensinado! Mas na verdade acho ninguém nos pode convencer de nada nem dizer frases feitas, a aprendizagem tem de ser sempre feita às nossas próprias custas. É pena que tenhamos de passar períodos muito difíceis para dar valor às coisas. É pena que tenhamos de ir ao fundo e sentir tanta necessidade antes de podermos ver a luz! Mas quando vemos tudo faz sentido... E eu ainda não vi, mas vejo tudo o que já aprendi até aqui... E no mínimo aprendi que de tudo o que é mau se tira sempre algo positivo!

E graças à segunda aprendizagem que escrevi, a lição que vale ouro, consegui ser muito feliz no meu aniversário (embora a sonhar com os próximos mais ao meu gosto, sim, que sejam já os próximos!!!).

* Be happy with what you have
while working for what you want *

A esperança já velha e ainda parva que tinha há dez anos atrás, de que ainda vou ter todas essas coisas, mantém-se. Cada vez mais magoada e remendada, mas continuo a tê-la e todos os anos espero que seja o último a passar as minhas ocasiões assim, a meio gás, contidas, discretas, a ver se não incomodam muito a vidinha, como se a vida fosse uma coisa secundária. Vida essa que vai passando também discreta mas a grande velocidade. Hoje dói-me muito saber que todos estes anos nunca serão recuperados... A minha única e grande esperança é que possam vir a ser muito compensados.

1 comentário:

Green disse...

Vais ver que sim, que vais conseguir compensar e que ainda vais ter aniversários inesquecíveis, com grandes festas e pessoas que adoras :)