segunda-feira, 30 de março de 2015

Revoltas da Treta


Há tantos meses que se falava do Shark Thank, antes de estrear, antes sequer de se saber quem seriam os "tubarões". Estive todos esses meses para escrever aqui qualquer coisa sobre isso, só para ir contra as opiniões mais correntes. Não que me dê prazer ser do contra, mas quando tenho uma opinião diferente gosto de poder expressá-la nalgum lado, e dada a minha falta de vida social (ou falta de pessoas ponderadas e bem resolvidas com quem possa ser sincera) eu queria vir dizer que não achava nada mal a importação do conceito para Portugal. Que não me fazia impressão nenhuma ir ver o Shark Tank em português e que não achava que aquilo iria ser ridículo ou uma treta sem pés nem cabeça. Não gosto de ver toda a gente a reclamar, muito menos sem motivo e muito menos ainda da forma intensa e gratuita com que se reclama hoje em dia! Assim que se anuncia uma nova iniciativa, um novo programa importado, é logo "que ridículo, vai ser uma porcaria" e por aí fora. Eu sempre fiquei curiosa para ver, só não achava muita piada ao facto de haver uma apresentadora (que seria a Bárbara Guimarães) mas felizmente mudaram de ideias. Se o programa nunca vai ser igual ao americano? Claro que não. Se em português fica sempre tudo um pouco mais pimba? Sem dúvida! E vou ficar revoltada e infeliz por causa disso (e ainda por cima chatear os outros com o assunto)? Absolutamente não.

Por exemplo, acho ridículo o nosso programa Ídolos em Portugal. Resultado: esta vai ser a 3ª edição que não vou ver, nem os castings, nem as galas. Acho, sinceramente, que todos cantam pessimamente, que quem os avalia não percebe grande coisa do que está a fazer e quer apenas dar nas vistas, acho que os apresentadores também destroem o programa e acho que quem concorre quer acima de tudo ser famoso e rico. Mas o que vou eu fazer? Revoltar-me com isso? Aborrecer os outros? Deixei de ver, sinceramente nem conheço quem tem andado a ganhar aquilo e não posso entrar nas conversas sobre o programa, mas pelo menos não me chateio.

Mas voltando ao Shark Tank português, acabei por me desiludir um bocadinho mas não muito. O positivo foi terem sido 100% fiéis à versão americana, assim sempre garantem que esse lado do programa está giro. Quanto aos protagonistas... Gosto deles no geral, já tinha lido muito sobre os respetivos percursos e carreiras antes do programa (especialmente sobre a mulher) e sabia que seriam adequados. No entanto, há um deles que para mim é simplesmente o espelho do empreendedorismo em Portugal, que a meu ver é um autêntico teatro, cheio de frases decoradas, atitudes estudadas e falsas simpatias, e isso para mim acaba por estragar tudo. Lembro-me de como o nosso país é tão pequenino, não de tamanho, mas em mentalidade. No entanto, continuarei com certeza a ver um programa que tem tudo a ver comigo e com a minha atividade profissional! Não só porque me interessa verdadeiramente, mas porque mesmo aquilo com que não concordo me ensina constantemente, nem que seja a criar opinião e enriquecer os meus pontos de vista. Se vi todos os episódios do programa americano, não ia ver o programa que incide sobre o nosso próprio tecido empresarial?! Há "lógicas" que não entendo mesmo.

Não gosto de ouvir reclamar por antecedência, não gosto de ouvir reclamar sobre o que nem se conhece... Sinto que estão a fazer-me perder tempo. Mas tudo bem, a vida continua, as pessoas vão aprender por si próprias e às suas custas, mais cedo ou (muito) mais tarde, esta lição. Porque os gostos não se discutem, isso é certíssimo. Eu fico à espera da nova temporada do Shark Tank americano, enquanto assisto ao nosso. Ah, e que não vejo reality shows, nunca vi um único "got talent" ou um "achas que sabes dançar" ou coisas desses, mas quem me tira a emção do "Dança com as Estrelas" ao domingo à noite, tira-me tudo :) gostos...

1 comentário:

Green disse...

Eu não vejo televisão nem sabia da existência desse programa que falas, no entanto, não critico quem vê. As pessoas são livres de terem as suas próprias opiniões e preferências.