sábado, 24 de janeiro de 2015

Relativizar


Sabia que ia temer esta semana com muita antecipação. Por outro lado, sabia que ia controlar-me melhor que da última vez, para sofrer menos consequências com o meu stresse exagerado. Mas missão falhada.
Evitei escrever aqui antes para não aumentar os meus medos e, enfim, já passou. Arranquei mais dois sisos e é óbvio que foi muito mais fácil que tudo o que passava na minha imaginação. Agora estou nestes dias muito, muito chatos de recuperação. Entre o sofá e a cama, sempre deitada na mesma posição, o corpo doente e ainda as restrições de alimentação. Estou com uma overdose de açúcar, não consigo mais ouvir falar em gelados, batidos e papas e, no entanto, continuo a ter de comê-los todo o dia. Haja a sopa para me desenjoar duas vezes ao dia, mas sempre tudo bem frio. Quantas saudades de algo tão simples como uma sandes. Saudades de mastigar e de comer. Passou pouco tempo mas rapidamente se torna uma tortura. Ainda por cima em pleno inverno! Estar forçada a gelados de gelo e a sopa fria, quando o que mais apetece quando se está doentinha e em recuperação é comfort food - pode ser uma travessa de comida cheirosa a sair do forno ou umas vulgares tostas, comida de sofá. Qualquer coisa mastigável me daria a maior felicidade neste momento!

Vou arranjando companhia na televisão, novamente, entre filmes e séries. Computador e revistas, nem pensar. Vim agora espreitar o email e blogues ao terceiro dia, sob efeito do comprimido. Tenho o melhor enfermeiro do mundo do meu lado, a cuidar de mim e a ver alguns episódios de Senfield e Friends comigo quando mais preciso de rir. Ajudou o tempo a passar mais rápido... Estes três longos dias a líquidos. Em outubro passei por isto (embora tivesse extraído apenas um dente e a recuperação tivesse sido bem pior) e sempre pensei que desta vez me fosse aguentar melhor em relação a estar tanto tempo parada e a comer doce atrás de doce. Mas passar o dia todo tão enjoada, e saber que a próxima refeição vai voltar a ser doce, e ainda ter todo o dia para pensar só nisso, torna a tarefa difícil. Pensei para mim "Belicious, isso faz parte, pensa que são uns dias e rapidamente voltas a comer, não custa assim tanto!" e desta vez até me preveni, jantei numa hamburgueria na véspera para poder vir a lembrar-me disso e a adiar os desejos, mas até agora já tenho uma lista enorme deles. Acho que é a nossa natureza humana, precisamos de algo mais do que beber, pelo menos quando não é algo por uma causa e objetivo pessoal (como passar uns dias em detox).

Passei uns dias de verdadeiro nervosismo, de véspera, mas tive de me controlar para não ficar chata, nem arruinar dias de trabalho. Mas quando chegava a noite eu mal dormia... Acabei por ir adoentada para a cirurgia, que era o que eu mais temia e tentei evitar desde o início. Felizmente tive o maior apoio e paciência na véspera, tal como em outubro. Eu, que na noite antes de ir tirar uma cárie nunca durmo, em ambas as noites antes das extrações dormi lindamente, sem esforços e sem sonhos estranhos. Desta vez o meu amor tirou-me de casa toda a noite de véspera e ainda viemos ver comédias antes de ir dormir, tudo para me distrair dos meus medos. Da outra vez tinha ido sair com a minha melhor amiga, ver pela primeira vez a casa nova dela, tive uma noite maravilhosa e só voltei na hora de ir dormir. Acalmaram-me em ambas as vezes, preciso de mimo, nada a fazer. E é aqui, no meio do mimo, que fico a pensar em como tudo fica mais fácil quando temos apoio. Não é que eu goste de perder assim quatro dias, a sentir-me mal, enjoada, dorida e cheia de pontos da boca, mas há coisas muito piores. Na verdade, o truque para tudo na vida é saber relativizar. Vou tentar controlar-me melhor na próxima extração. Ah, e por agora esperar fervorosamente que chegue depressa o dia em que poderei voltar a trincar!

2 comentários:

Diana Machado disse...

por acaso arranquei os quatro sisos, dois deles em mini cirurgia, tiveram de me abrir a gengiva para os ir buscar e em todos não tive dores nem durante nem depois e o mais chato era mesmo só a comida e a boca inchada, não me custou muito. as melhoras e força nisso

Green disse...

Para minha felicidade, os meus ciso não nasceram nem irão nascer :)