segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Voltei


Quando marquei a consulta e tinha dois meses pela frente para me preparar (psicologicamente) parecia ainda ter muito tempo. Pois o meio de outubro chegou e eu tive mesmo de ir arrancar o meu primeiro siso. Foi um terror psicológico, daqueles que só eu consigo criar em torno de coisas que nem são assim tão más. Tenho medo de dentistas, nada a fazer. Desmanchei-me num nervosismo tão grande naquela cadeira de dentista, de tal forma que passada quase uma semana ainda estou a tentar recompor-me, não na recuperação do buraco que ficou, que já não dói, mas de uma amigdalite que resultou da minha descarga de nervos ao voltar da consulta. Acontece-me sempre isto. De tal forma que fiquei de cama desde quarta-feira, a recuperar de ambas as coisas.
Não vou dizer que doeu nem nada do género, seria mentir, mas só eu sei o que dava para não passar por aquilo novamente - processo de extração e de recuperação. E só de pensar que tenho mais três para arrancar, começo a preparar-me para uma forma qualquer de mentalização para aceitar o que tem de ser e tentar ver algo de positivo nisso. É uma tarefa complicada, dado que a recuperação é um verdadeiro castigo.
Já tinha arrancado tantos dentes molares, nunca pensei que este fosse assim tão diferente, que fizesse este alarido e obrigasse a tantos cuidados. O meu dente estava de fora (como estão todos os outros) e mesmo assim o pós-extração inclui pontos, dores fortes, inchaço, febres, cabeça a explodir, três dias a papas, gelados e todo o tipo de líquidos frios, um medo de morte de lavar os dentes e dormir durante várias noites com cabeça alta e virada para apenas um lado toda a noite e todo o dia. Os dias são passados de cama (para quem tiver vida para isso, eu tenho muita sorte nesse aspeto) e é essa a parte mais frustrante de todas. Dia após dia penso que é o último deitada a papar filmes, mas no dia seguinte o corpo não deixa. E a cada dia me levantava com o dente melhor, o corpo cada vez pior.
Percebi que o meu estado de nervos não ajudou nada a doutora naquele dia e só me adiou a recuperação. Foram tão atenciosas naquele dia que percebi que nao havia nada a temer (embora seja sempre aterrorizante tanta ferramenta e preparação à volta daquilo, os barulhos de rebarbadora e os puxões na gengiva) e vou ter isso em conta no meu futuro processo de mentalização. Vou ter em conta que os nervos só atrapalham, que não posso evitá-los mas posso moderá-los, muuuuito. E esmagar menos a mão da assistente também. E dar menos dias de trabalho ao meu namorado-enfermeiro-melhor-do-mundo. E ficar menos ansiosa pelo dia em que salto da caminha improvisada e não volto lá mais. E parar de pensar que ainda faltam mais três dentes!
Depois de tirar os pontos na quarta-feira tenho esta prova superada e suspiro de alívio - e nesse dia já com nova data marcada, para me mentalizar. Espero não ter assustado ninguém com o que acabei de contar. Pensem simplesmente que se eu consegui, todos conseguem. E da próxima já me porto melhor.

1 comentário:

Miss Purple disse...

Também por isso mas a mim foram os dois do lado esquerdo... não me doeu nada durante a extração, apenas senti a pressão. A recuperação é lixada e sendo os dois, mal abria a boca.
Mas verdade seja dita, os do lado direito estão aqui tão bonitinhos :)