sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Time. Fall. Thoughts.



No mês passado era ainda verão e eu, que tinha visto a silly season passar-me à frente tão depressa, e ainda super deprimida por isso, achava a coisa mais estranha do mundo ver cartazes por toda a parte a falar de reveillon e viagens de fim de ano. Pensei logo "bolas, o comércio está a ficar agressivo, que exagero, falta meio ano". Pois agora só passou um mês desde esses dias, amanhã já começa o mês de novembro e eu só sei que os cartazes que vejo agora explicam que as vagas para essas viagens esgotaram. Em todo o lado há sinais a avisar-nos que o tempo passa realmente rápido, e tentar ignorá-los não resulta, ficamos para trás.
Também durante setembro eu lia em vários blogues o balanço de 2014. Que este ano foi isto e aquilo, como correram as resoluções, se foi como o esperado e o que queriam mudar para o próximo. Fiquei pasmada e assustada, nos meus pensamentos eu gritava "mas o ano não acabou!!!" e queria ignorar essas mensagens. Mas é claro que no fim de um verão em pleno qualquer pessoa sente que já fez o máximo desse ano, sente-se realizada, feliz, a alegria de quem parte para um inverno de pele dourada e mente leve depois das aventuras entre amigos, família e muito azul. Restam depois uns meses felizes de outono, chocolate quente e luzes da quadra mais bonita do ano, mas antes desse aconchego final viveu-se um ano inteiro.
Eu olho para os meus numa perspetiva diferente e por isso não aceito o passar dos meses, não me fazem sentido porque não os preencho, não consigo ver o mudar das estações sem uma sensação de profundo vazio e aflição e aperto que me desconstrói. Vejo o mais belo de cada uma que entra, mas o mais belo de cada uma que fica para trás eu não o vivi. E dói.
Afinal agora, só passado um mês de ler esses posts tão estranhos, vejo que é mesmo verdade que estamos no fim de mais um ano. É-mesmo-verdade. Restam dois meses de mais um ano que escapou por entre os dedos. Um precioso ano. Mais um. Não posso. Vou derramar sangue se for preciso, mas vou lutar por poder ter estes dois meses.

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