domingo, 13 de outubro de 2013

Passou-se um ano


Parece mesmo que ainda ontem estávamos a vender mobília online, ao desbarato, a desfazer-nos de cama, sofá, máquina de lavar à última da hora. Em dois dias vendemos tudo, fizemos as malas, tantas malas e caixas e sacos, num total que me parecia impossível de transportar, e viemos cheios de coragem e entusiasmo para uma vida nova. Uma zona nova da cidade, sem ninguém conhecido e sem estarmos preparados. Passado um ano, ainda não estamos. Tudo o que planeámos para o mês seguinte ainda não aconteceu e estamos no mesmo ponto que há um ano atrás. Um bocadinho mais maduros, mas ainda a adiar tudo e à espera do futuro para nos aproveitarmos um ao outro e toda a qualidade de vida que a nossa zona oferece. As diferenças para o dia em que nos mudámos são poucas. Ainda não conheço a cara dos meus vizinhos, ainda tenho coisas por desempacotar e organizar, ainda não tenho a loiça que preciso, ainda tenho a decoração original da casa (ao gosto boring, masculino e desinspirador do senhorio) e o escritório que improvisámos numa divisão da casa (e que a ocupa por completo apenas com alguns computadores) alastrou-se desde fevereiro para a casa toda, e toda ela agora é trabalho. Isso também não mudou, o trabalho continua a assombrar as nossas vidas, e muito mais que antes. Penso que é bom sinal, quer dizer que a fase de aperto total está a chegar ao fim.

Não celebrámos o nosso primeiro ano nesta casa. Agora tenho planos para melhorar o que falhou, a retomar de um conjunto de fracassos e péssimas decisões que tivemos, e muitas lições à conta disso e que hoje temos em consideração. O ano que fica para trás não é em vão, estamos a construir sobre as cinzas e finalmente aproveitar o que merecemos. Tenho sonhos para a nossa vida aqui, uma vida livre, feliz e equilibrada, em que temos tempo para nos concentrar em nós próprios, conhecer o nosso interior, saber onde estamos no mundo e na vida. Parar para pensar nestas coisas leva tempo, mas quem não o faz não vive, só voa sobre a vida. Esses sonhos já vieram comigo há um ano atrás. E assim de repente até consigo ver uma evolução da minha vida nesta zona: o senhor onde todos pedíamos uma sandes de panado há um ano atrás no meio das terríveis mudanças, como única refeição do dia, hoje é o dono do nosso mini-restaurante favorito e já conhece a minha sobremesa de eleição. Tenho sempre o aviso de quando há bolo de bolacha da casa.

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