sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Life (small-big) moments

No início de agosto a minha mãe ofereceu-me a consulta numa osteopata, a sua médica preferida do momento. Foi da última vez que fui lá a casa (no aniversário da minha afilhada e a apanhar as festas da cidade) e, como sempre, a minha mãe aproveita os dias que lá passo para me levar a conhecer isto e aquilo, esta e aquela pessoa, coisas que me façam bem porque está sempre preocupada com a minha vida frenética de Lisboa. Adiante.
Dados os meus altos níveis de stress, dores de costas frequentes e mini-doenças chatas constantes e inesperadas, foi inevitável ir conhecer essa senhora, que sabe tanto de ciência como de psicologia, dos poderes da mente, para decifrar um pouco mais do que se passa comigo, com a minha cabeça, com a minha vida. E, enfim, aquela consulta acabou por ser uma grande descarga emocional, onde para além de uma massagem curativa ainda chorei baba e ranho a falar dos meus sonhos e ansiedades.

É mesmo verdade. Quando ia para lá, fui totalmente tranquila. A minha mãe falava maravilhas da sua médica, que era um amor (a minha mãe acha toda a gente um amor), que era muito compreensiva (e eu pensava que pelo negócio toda a gente é compreensiva) e que saía sempre de lá como nova (e eu pensava que a minha mãe só precisava de alguém com quem falar). Já imaginava uma senhora de meia idade, estranha, com uma bola de cristal, roupas exóticas e uma boa dose de loucura. Quando me abriu a porta uma médica jovem, nos seus trinta anos, bonita, com um ar doce e compreensivo, num consultório mais que amigável, com ar super competente e cheia de diplomas na parede, aí fiquei nervosa. Afinal aquilo era a sério!

A primeira parte da consulta foi totalmente objetiva, sobre a minha saúde, histórico, estilo de vida, queixas, dores, problemas, limitações, etc. E a lista gigante de queixinhas que eu tinha para fazer... Apesar de começar sempre por avisar que sou totalmente saudável e tenho uma ótima alimentação.
Pela primeira vez tudo fez sentido. Todos os probleminhas que tenho constantemente e que penso que não podem ter ligação, afinal estão todos conectados. Naquele dia fiquei a conhecer-me um bocadinho melhor. A segunda parte da consulta foi a massagem, para diagnosticar o que afinal se passa com as minhas dores de costas e descobrir que a maior parte dos meus problemas físicos (dores) vem das minhas ansiedades psicológicas. Ali falámos dos meus medos, dos meus problemas do dia-a-dia, dos meus sonhos, do que afinal me faz feliz. De porque é que não faço aquilo que me faz feliz. De porque carrego os problemas dos outros nos ombros e deixo arrastar os meus. De como isso me faz mal, me sobrecarrega a cabeça e o meu pequeno coração que já não tem espaço para isso tudo. De como as pessoas hoje em dia, eu incluída, se preocupam tanto com as grandes metas da vida, buscar uma vida grandiosa e cheia de conquistas, e deixam de cuidar do ser pequenino e frágil que está dentro de cada uma, e que fica esquecido ou adormecido às vezes por uma vida inteira...

Ensinou-me que devemos olhar para dentro de nós com muita frequência, saber ouvir-nos, parar para pensar, saber em que ponto estamos, na vida e no mundo. Leio isso frequentemente noutras fontes em que confio e sei que é totalmente verdade. Estamos tão preocupados com "a vida", o dia-a-dia, que nos esquecemos do verdadeiro eu, de quem somos, do que queremos, do que nos faz bem, de nos perguntarmos o que nos faz bem. De onde estamos e para onde queremos ir. De fazer pausa para nos situarmos e só depois continuar para a saga do dia-a-dia. Isto em vez de todos os dias nos levantarmos para uma rotina automatizada da qual já nem nos damos conta e já nem pensamos no que estamos a fazer. É estranho, isto tudo é estranho. Mas é verdade que precisamos de parar para estar connosco.

Naquele dia tudo fez sentido, eu estava sedenta de compreensão e ela deixou o meu espírito aos pulinhos de euforia depois de me explicar o porquê da minha ansiedade e medos e preocupações. Mostrou-me como era urgente que tirasse esses pesos de cima, deu-me exercícios para fazer (que não cumpri) e alguns exames pequeninos para despistar (que ainda não consegui fazer). Senti-me totalmente renovada, mas nesse mesmo dia voltei para Lisboa, entrei na reta final da tese, por fim entreguei-a e ao mesmo tempo entrei na reta final do nosso projeto e toda essa "terapia" na osteopata tão sábia desvaneceu. Amanhã vou ter a minha segunda consulta com essa médica a abrir o dia e não sei o que esperar, mas com o carrossel de emoções que tem sido o meu pensamento desde que fui lá em agosto, eu só posso estar nervosa por amanhã. Mas na esperança que me faça muito, muito bem esse bocadinho.

1 comentário:

Blanche Cérise disse...

Realmente há um 'trabalho' não só físico como psíquico o que é muito mais abrangente do que a medicina convencional, já que muitos dos nossos problemas físicos são psicossomáticos.

Espero que a consulta tenha corrido bem.

Beijinhos e bom fim de semana!