quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Rain on my head


O quê, é outono? Como assim, "já é outono"? Acabou-se o verão? Digam-me que não se acabou tudo, não se passou tudo tão depressa. Não pode ser outono!

Como foi acontecer isto? Sentei-me a fazer a tese algures na primavera e quando a termino e abro os olhos passou-se uma nova estação inteira e de repente entrou o outono? E onde fica mais uma vez o meu verão? Se o tempo que fica para trás já não volta, e no caso deste verão nem o vi nem o senti e nem o vivi, então estou a perder vida, senhores, estou a perder vida. Mais uma vez, como é que isto foi acontecer?

Cheguei a esta casa em outubro, havia ainda alguns dias quentes, mas já cheirava a tempo frio. Já não havia nada a fazer por esta zona fantástica a não ser esperar ansiosamente pela primavera. E ela chegou tão rápido! E eu tão enclausurada em casa!
Tínhamos planos para usar a varanda, ou pelo menos eu sonhava em passar lá uns serões românticos, a não fazer nada, a aproveitar os serões como casais normais amorosos quando as noites quentes chegassem. Imaginava os dias a romper com sol e nós a ir dar uma volta ao parque verde, de mão dada, ao encontro das dezenas de pessoas que já lá estão pela manhã. Ansiava por todos os fins de semana, esses dias maravilhosos pelas esplanadas, relva, petiscos, conversas, passeios. E a praia? Pensava mesmo que era este ano que iria à praia a sério. Fiquei profundamente triste porque pensei realmente que iria, pela primeira vez em cinco anos, passar o verão na praia com o meu namorado. Já foram cinco, nem dá para acreditar. Mas nem fui à praia a sério nem fui à praia. Não fui. Em consequência disso a minha saúde está como está. A física e a mental...

Não tenho nada contra o outono. Pelo contrário, e até basta espreitar posts meus por esta altura nos anos anteriores, sempre adorei o espírito de recomeço nesta época, o cheiro do tempo a mudar, a mudança e nostalgia maravilhosa destes dias, a luz dourada fantástica que paira no ar quase todos os dias. Mas este ano? Nem cheiro nada disso nem consigo sentir uma ponta de alegria, como se me tivesse sido sugada durante todo o verão trancada em casa. Ver o verão pela janela e de repente ele terminar e dar o lugar ao outono. Custa-me a aceitar e não tenho conseguido superar.

Agora que terminei, precisava de ir aproveitar um pouco do verão que perdi. Não posso acreditar que deixei passar mais um. E os anos de vida que se ganham na praia? E os convívios? E as noites de festa que não fiz? E as roupas leves que não saem do armário há 2 anos? (???) E todas as alegrias e todo o descanso? Onde fica tudo o que não se viveu? Fico para lá de confusa com o que se está a passar e nada disto faz sentido. O outono foi simplesmente um aviso para ver se acordo para a vida e a agarro de uma vez por todas. Estes anos todos que passaram não podem ter sido em vão, porque apesar de perdidos hão-de servir-me de lição. Resta-me estudar ao milímetro o que é que está mal e o que está a mais no meio disto tudo, e finalmente tomar medidas.

Hoje acordei e estava a chover. Foi como se chovesse na minha cabeça, um balde de água fria para eu acreditar que é mesmo verdade. Vou "limpar" as ideias e tomar decisões. Só depois posso voltar a viver.

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