sábado, 17 de agosto de 2013

Crise de valores

Ontem fiz questão de ver a entrevista ao Lorenzo Carvalho, já mesmo depois de ter acabado, porque foi ontem de tarde que comecei a segui-lo pelo Facebook e tinha visto algumas coisas recentes sobre ele. Eu só posso dizer que fiquei envergonhada, e acima de tudo indignada com a atitude de uma entrevistadora que esquece todos os moralismos de um grupo profissional quando o tema é dinheiro.

Sabemos que o rapaz foi convidado para o telejornal só para ser acusado de ser rico, é certo. Sabemos que a entrevista não tinha qualquer conteúdo televisivo, que não havia objectivos senão o de lhe apontar o dedo, que não há seja o que for na vida daquele rapaz que contribua para a nossa felicidade ou infelicidade. Então há uma série de coisas que não percebo:

Vão começar a partir de agora a entrevistar todos os homens ricos do país? Gostava de saber, por acaso, quais serão as próximas vítimas do escárnio e inveja da entrevistadora, ou não faz sentido ontem terem convidado o Lorenzo. Ah, esperem, a maior parte dos homens muito ricos em Portugal só o são através de crime (corrupção) e a esses nada é cobrado. Os restantes são desinteressantes, porque trabalharam muito para lá chegar (que estúpidos) e não contratam a Pamela Anderson para celebrar a juventude. Uma seca!
 
Como se mete à frente de grandes entrevistas uma sanguessuga televisiva como a Judite de Sousa, cujo objectivo único é chocar sempre que pode, mesmo quando anuncia notícias banais, com aquele ar terminal de quem nos tenta suster a respiração a cada momento? Momentos brilhantes da TVI no seu esplendor, onde tudo vale em nome do choque e das audiências, custe o que custar, custe a quem custar.
 
Para quê fazer perguntas ao rapaz quando não se está minimamente interessado nas respostas? A mulher colocou as suas perguntas pessoais, cada uma mais estúpida e impertinente que a anterior, e não disfarçou sequer o desinteresse que tinha nas respostas. Atropelava-o, calava-o, desdizia tudo e ainda fazia ar de nojo por ficar sempre por baixo nas intenções que tinha. Ao contrário do que ela imaginava, pobre Judite, ele não tinha descurado a caridade e ajuda social. Ele não ficou contra a parede e respondeu, tranquila e respeitosamente, a todas as perguntas estúpidas e acusações que foi ali receber.
 
Onde é que neste mundo o rapaz é obrigado a fazer caridade por ser rico?! Pior, porque raio tem ele de ajudar a crise de Portugal, quando os responsáveis pela crise andam a passear-se pelo mundo, livres, aplaudidos com bons cargos e também eles cheios de dinheiro? Então agora os ricos têm dívidas para com os países em crise? Ou os ricos agora não podem viver em países em crise? Se calhar é para não ferir susceptibilidades das mentes mais pobres. Não percebi, ajudem-me!
Já agora, eu adoro ajudar, é algo que defendo, e ainda por cima o Lorenzo ajuda muito, em caridade e ajudas individuais, mas apontar o dedo a perguntar como é possível ele não ajudar os pobres jovens desempregados portugueses como se tivesse alguma coisa a ver com isso, foi simplesmente ridículo. Ajudar é algo que tem de vir do coração, senão é ajudar para aparecer nas revistas e isso sim, é ser fútil. Eu não imagino uma atitude mais fútil do que perguntar directamente na cara de um rico porque não faz isto ou não faz aquilo. Inveja pura e dura!
 
Como pode uma jornalista que foi levada ao topo da carreira ter uma atitude tão infantil, imoral e egocêntrica em pleno horário nobre televisivo? Aquilo que se passou ali, além do baixo nível, foi uma vergonha pelo ataque pessoal da Judite de Sousa ao entrevistado. A cada observação ela fazia notar a inveja pelos bens do Lorenzo, pela vida desregrada que ele se permitia, pelo pouco esforço que fez para ter o que tem, e por no meio disto tudo ele ainda ser bom rapaz e ter juízo. Revoltante, não é? É tudo o que um português não consegue olhar de frente e ela ali estava, a tentar representar o ódio português. "Porquê, mas porquê?" era a atitude dela perante o jovem milionário. O ar de nojo, a pergunta sobre o relógio, a frieza a tentar encontrar assassinatos no meio da história.

Toda a gente sabe que a mulher tem um ordenado milionário e isso tornou aquele teatro de ontem ainda mais despropositado. Tal como eu nunca critiquei quem faz férias de luxo, tem malas, casas ou carros de luxo quando são fruto do seu trabalho - ou fruto da sorte, tanto faz! - ela devia estar calada em relação ao que os outros fazem ou não fazem com o seu dinheiro e bens. Esse era o seu dever, e se não o faz como pessoa porque não consegue, então tinha de fazê-lo como jornalista. Mas não, a inveja, grande demais, venceu. E assim venceu também o Lorenzo, que foi chamado para ficar mal na fotografia e quem acabou mal foi mesmo a velhota.

É esta mentalidade tão, mas tão pobre, do nosso país que atrai conteúdos como o de ontem. As praias cheias do Algarve, os hotéis à pinha ou as férias da Cristina Ferreira na Grécia jamais seriam notícia hoje em dia se as pessoas não fossem tão invejosas e mesquinhas. Eu sei que a Cristina Ferreira ganha rios de dinheiro, mas e então? Querem a vida dela? Força, façam igual. Vão à luta, como ela foi. E boa sorte para conseguirem chegar tão longe. Não querem ir, dá muito trabalho? Então, por favor, não vão, mas parem de cruzar os braços e reclamar de quem conseguiu lutar pelo seu lugar ao sol.
Acima de tudo, ontem senti vergonha porque na atitude da Judite estava espelhado o sentimento de inveja dos comuns portugueses, disponíveis para apontar o dedo sempre que vêem alguém mais rico. E enquanto os programas de horário nobre viverem para alimentar isto, pois é o que rende neste cantinho da Europa, eu só vejo tudo a piorar. Quanto a mim, fica a mensagem para os ricos e para mim própria: é sorrir e acenar.

4 comentários:

Dummy disse...

Essa entrevista parece ter sido completamente montada para se levantar polémica e estarmos todos a falar da tvi e da Judite de Sousa. Porque raio é que ela teve de escolher um puto brasileiro para lhe fazer aquelas perguntas ofensivas, quando quase diariamente entrevista políticos e outras figuras públicas portuguesas, também com bastantes posses e poder em Portugal, e não lhes pergunta o que é que eles andam a fazer para mudar o estado do país - quando esses é que, na verdade, exercem cargos que têm esse objectivo - bem, se a Judite fizesse isso, certamente seria despedida ela e parte da TVI.
Isto lembra-me quando há uns tempos entrevistaram a Pepa (a menina que queria a mala da Chanel) e a entrevistadora também estava basicamente a rir-se na cara dela... Ou os jornalistas andam a ter demasiada dificuldade em conter as suas frustrações e invejas pessoais, ou os telejornais já lhes pedem para serem maus profissionais em prol de polémicas que possam dar que falar.

Anónimo disse...

A JS foi só mais uma que subiu à conta do dinheiro do ex-marido!

Chic Maria disse...

Enfim, se eu tivesse o dinheiro que ele tem, tb gastava no que me apetecesse... Não vejo mal nenhum nisso! Nasceu num berço de ouro, teve sorte, agora é aproveitar a vida, mais nada! A Judite ficou muito mal vista...

Belicious disse...

Concordo totalmente, eu também me lembrei da entrevista à Pepa Xavier, que sei lá se é fútil ou não, nem ninguém devia querer saber, ou pelo menos não chamá-la à TV para tentar ridicularizá-la à frente de um país.
Parece que vale tudo em nome das audiências! Acho péssimo que a sociedade esteja a ficar tão invejosa e mesquinha, mas pior que isso só os próprios profissionais já não controlarem as suas frustrações.

Obrigada pelos comentários :)