segunda-feira, 19 de agosto de 2013

[Aviso - Desabafo lamechas com suspiro a abrir a semana]


Não tem sido nada fácil. Ainda assim vou sorrindo e seguindo. Não tenho uma doença ou algum problema grave, mas estou cansada, cada vez mais cansada. Confesso que é o segundo ano sem quaisquer férias, sem sair para lazer, sem fins-de-semana. O domingo aqui em casa é igualzinho à segunda ou à quarta-feira. Desde há anos. Há trabalho para dar e vender. Nesta casa está a lançar-se o nosso projecto, já há um par de aninhos só concentrados nisto, e ainda para mais estou na recta final da minha tese de mestrado, com o prazo a apertar e tanto por fazer. Tudo sem pausas, não pensa, não respira. Está a ser muito duro trabalhar sete dias por semana, há meses, há anos. Estou cansada...

Sinto a falta de família, sinto uma falta imensa de amigos. Nunca me dou a liberdade de marcar seja o que for, tudo é uma corrida. O pequeno escape têm sido dias aqueles impossíveis de negar, como o meu aniversário ou alguma celebração como o baptizado. Ainda assim, até esses dias às vezes acabam por saber a culpa, e isto faz tão mal ao meu coraçãozinho, aqui apertado, que só procura um pouco de calma, uma vida tranquila e cheia de amor. Aos poucos estamos a chegar lá, eu e o meu amor. Estivemos a ver a luzinha ao fundo do túnel durante tantos meses a até anos, mas sempre enganados. Já passámos por tantas desilusões! Afinal, ainda faltava sempre tanto, muitas evoluções. Sabemos que estamos a fazer algo de muito importante e de grande qualidade e que isso exige tempo, esforço, coragem. Já abdicámos de tanto, eu de todo o meu tempo e planos, ele da vida por completo até aqui, mas agora sei que está no fim. Finalmente vai acontecer e vamos começar a sentir a felicidade de ver as coisas acontecer. Merecemos tanto, merecemos tudo, e sei que não vamos parar até conseguir.

Sinto a falta de mim própria, de tempo para mim, tenho saudades de mim. De viver o equilíbrio entre o trabalho e algumas paragens também. Entre as coisas sérias e os momentos para rir e divertir. Muito trabalho, sim, sempre, sei que vai ser assim a minha vida. Mas tem de haver os momentos de trabalhar a sério, focada, e os de descontracção para recuperar energias, rir, ganhar a vontade de, feliz, voltar para ao trabalho. Sou divertida, gosto das coisas bonitas da vida, gosto do mar, adoro partilhar, adoro festa, combinações, jantares, dar festas em casa porque sim. Invento ocasiões para tudo, preocupo-me com os outros, quero muita gente por perto, quero ajudar, quero conversar, quero ir vivendo, aproveitando. Adoro as manhãs, adoro as noites, os finais de tarde, o nascer do sol, a primavera, o verão, o outono e inverno. Dou por mim a gostar tanto de tudo que dói. Sou apaixonada pela música, a moda, os livros, a escrita, a arte, as tecnologias, a cozinha!
Tenho saudades disto tudo, no fundo saudades da vida, durante este período difícil de trabalho e investimento que estamos a fazer. Custa porque sou jovem, não nasci para estar fechada e neste momento sinto-me frágil por todo este tempo em que abdiquei de mim própria. Estou aqui, tão branquinha, a sentir o calor da rua e a pensar em como é maravilhoso este período do Verão. Em como ainda não aproveitei o Verão este ano, em como também não saí no último e como isto tem feito mal. Percebo que na área de empreendedorismo quando vejo, raramente, uma rapariga, são gordinhas/desleixadas e estranhas ou muito alternativas (ou então muito insuportáveis, verdade seja dita) e talvez, por serem esquisitas, não se importem de não ter o lado wild da vida, mas eu sou uma miúda normalíssima, eu importo-me.
Está quase, está quase, estamos quase. E deste esforço todo tiro a certeza de que a seguir vou aproveitar tudo ao triplo assim que puder. Ah, e vou passar a ser a minha prioridade total. Parar de querer cuidar dos outros e em primeiríssimo lugar cuidar de mim, que preciso muito de mim. Aprendi coisas vitais com este percurso. No regrets. Estamos quase!

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