sábado, 6 de julho de 2013

Escolhas


Depois de assistir às entrevistas inspiradoras do Paulo Pereira da Silva e do João Catalão no 5 Para a Meia Noite (programa tão bom que nunca devia ter interrupções), dá-se novamente o click com mais ideias para o meu trabalho diário e, claro, para a minha vida. Fazer a tese sobre um tema que é o meu dia-a-dia e que gosto tanto mas tanto, foi não só uma escolha inteligente como o caminho mais óbvio, na minha opinião. Se não escolhermos fazer o que nos apaixona, então o que andamos aqui a fazer?

Estou a escrever numa noite lisboeta de muito calor, estou aqui com muito pouca roupa e mesmo assim está difícil de respirar. Há um ano era assim também, à volta dos 30º de madrugada, a estudar. Há dois anos também, há três, há quatro, há seis anos que tem sido assim que sinto as noites quentes de Verão. Mas sempre o fiz por opção e sei quais os meus motivos. É claro que sei que está uma noite irresistível lá fora, das que amo, cheia de gente que já vi passar no final desta sexta-feira, noite de sair e relaxar, ainda mais perante a noite mais quente do ano. Mas sei também porque escolho ficar aqui, já tinha decidido isso há muito tempo, que ia seguir este caminho e cumprir estes objectivos. O Paulo Pereira da Silva contava agora mesmo, entre mil outros factos interessantes, que viveu 12 anos dentro da fábrica do papel, 'para começar bem o negócio'. E é o dono da empresa! Viveu ali durante uma dúzia de anos para aprender bem os processos e para conhecer bem as pessoas, contou ele. Hoje em dia é apontado na rua como um milionário que mal pára em Portugal, que tem uma vida de luxo e tudo porque um dia lhe deu na cabeça meter cores no papel higiénico. Ninguém, mas ninguém, pára sequer para pensar o que ele terá sacrificado ou investido para hoje ser quem é. Só é rico e pronto. Mas que sorte. Estúpido. Só eu é que não sou.

Não é que toda a gente tenha de dar valor ou dar os parabéns, nada disso. Eu costumo dizer que não peço que façam o mesmo. Só peço é que não critiquem.

1 comentário:

Xica Maria disse...

Sem trabalho não há nada. O meu sogro tem uma pequena empresa há mais de 25 anos e tem uma vida estável neste momento, mas suou muito para ter o que tem agora. Havia dias que não tinha dinheiro para um simples café, mas não desistiu...
Olhando para o papel de cor, muitas pessoas pensam: mas como eu não tive esta ideia?! Parece tão simples! Mas atrás dessa ideia existem horas de trabalho.