quinta-feira, 19 de julho de 2012

What's wrong with the world?


Ontem, deitada numa "cama" de dentista, lá estava eu de braços e pernas a tremer (não se preocupem, fui só tirar uma cárie), e à minha volta toda a gente tranquila, como sempre. Demasiado tranquila. Durante todo o tratamento ouço sempre os comentários da actualidade pela minha dentista com a sua assistente, opiniões sobre tudo, como se não estivesse ali. Mas ontem, e logo ontem, com os 36º que faziam na rua, só se falava em boa vida. Era ela a contar o seu maravilhoso fim-de-semana na piscina entre amigos, enquanto metia a broca no meu dente. Comentava com um dentista (que foi espreitar a minha boca a ser tratada) que as tardes no Martim Moniz estão cada vez melhores e mais dinâmicas, ideais neste Verão, e que eu é que devo saber melhor sobre isso porque sou estudante e devo estar lá sempre batida... Pois claro. Era ouvi-la combinar um passeio de veleiro com outra doutora que passava no corredor, mas só na próxima semana, porque este fim-de-semana já tem planos em Tróia, naquelas praias mais que perfeitas, já que "têm feito os dias perfeitos para ir para o paraíso". Não sei se era pior ouvir isto pelo contraste entre o estado de tensão total em que me encontrava e a realidade de sonho de que ela ia falando, ou se pelo facto de eu nem ter parado nos últimos tempos para me lembrar que existem as palavras "paraíso" ou "praia" ou "esplanada" ou "passeio". No fim da consulta ainda me diz para voltar a marcar, mas só até 10 de Agosto porque depois disso está out para férias e até meados de Setembro. Ela é uma querida, mas fiquei roída de inveja.

Não foram os primeiros relatos que tenho ouvido dos dias perfeitos que têm feito. Ouvi dizer que as festas deste ano estão melhores que nunca. As praias a mesma coisa. Ainda bem que em termos de internet não tenho tempo para descobrir nada disso, ou ia agitar as minhas emoções. Não foi o primeiro relato nem tão pouco o último. Esta manhã, novamente numa "cama" de tortura chamada depilação, a esteticista, que eu julgava ter ainda menos vida que eu, começa a contar-me a tarde fantástica que esteve ontem (eu sei que sim, eu vi nos termómetros...) e como Santos estava fantástico quando lá foi terminar a tarde com os amigos a comer caracóis, beber uma sangria perfeita e ficar lá para a noite. Eu não precisava de saber com tanto pormenor como estavam cheias ontem as esplanadas de Santos e que tinha gente por toda a parte a desfrutar do bom tempo. No fim acrescenta que está muito preocupada pelo ritmo que está a ter a minha vida. Que nem no mestrado me via assim. Que ficou logo preocupada quando tive de marcar para as 8.30h e fazê-la vir abrir o salão meia hora mais cedo por minha causa. Eu digo-lhe que tem de ser, Felícia, tem de ser...

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