sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um dia... Fica prometido

Um dia vou voltar a ter o Natal que conheci. Vou ter a casa cheia. Cheia de brilho e de gente, de magia e de alegria, cheia de Natal. Cheia de enfeites, crianças, barulho, comidas, planos e vivências. Vou poder andar semanas antes pelas ruas cheias de músicas, luzes e pessoas. Cheia de compras, embrulhos, confusão, encomendas, compras em família. Cheia de tudo aquilo que esta época significa ainda para mim. Tudo o que significa e que há muito não posso ter e que me deixa uma enorme mágoa.

Um dia vou vingar todos estes anos de estudo que me impedem de viver a época natalícia por que espero todo o ano. Dos 19 aos 25 anos é muito tempo sem Natal, é demasiado tempo privada de tantas coisas boas, da família, dos amigos, das passagens de ano. São os meus anos de juventude que não vão voltar nunca, e ficam todos numa faculdade que não merece quem lá anda nem respeita qualquer dos nossos sacrifícios. Fico triste e revoltada.
Faço, ano após ano, um esforço enorme nesta época a tentar conciliar tudo. Escolher entre dias nas compras de Natal de última hora ou o estudo; entre o (tão esperado!) descanso ou o estudo; entre o ajudar no Natal de casa ou o estudo; entre o visitar familiares e distribuir presentes ou o estudo; entre a vida e o estudo. No que toca a coisas mais importantes (encontrar os presentes, visitar alguma família), acabo por escolhê-las, mas deixo a minha vida sempre para segundo plano, o estudo não existe, o descanso nem vê-lo. O estudo fica para a véspera de cada exame, não tenho como mudar isto. Como quero eu ser a melhor? Tenho muito poucas condições para isso, mais vale encarar a realidade. Preocupar-me com o mundo inteiro antes de mim não me vai levar ao sucesso, é melhor admitir isso de uma vez por todas em vez de continuar a cair em desilusões atrás de desilusões.

Um dia vou voltar a ter o Natal que conheci. Casa cheia de gente, a véspera de Natal não ser só a véspera, mas toda a semana antes. Viver cada dia com toda a magia da época, com as músicas, as pessoas, os doces, as combinações, as confusões, as desarrumações, crianças, tudo. Mal pude assistir à família a afastar-se e a ser dividida, cada agregado pelas suas casas, e eu demasiado ausente para tentar impedir que isto fosse piorando de ano para ano. Agora somos pouquinhos, nada de crianças e pouco de alegria. Aos poucos quero inverter a situação e criar maiores proximidades e sonho com um futuro cheio de natais bonitos. Porque cada um vai significar todos os anos que perdi aqui (e continuo a perder), todos os amigos de que me afastei, todas as consoadas que não vivi, toda a tristeza que senti.

Um dia... Um dia vou voltar a ser feliz nesta altura e fazer Natais felizes a muita gente. Porque "as minhas" pessoas merecem... E eu também. Muito.



I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know...

(E estas vozes de Natal? E estes clássicos? Ai, as saudades...)

1 comentário:

Susy disse...

Também tenho tantas saudades do meu antigo Natal...*** Boas festas!