sábado, 3 de setembro de 2011

O fim de um ciclo...

Não têm sido uns tempos fáceis. As últimas semanas, ou mesmo todos os dias de férias aqui, custaram muito a passar. Não sou das pessoas que se fartam das férias, eu prolongava-as mais um mês, mas não aqui. Aqui faço figas para que se acabem rapidamente.
Ano após ano, o ambiente aqui em casa vai piorando. Esta família tem as suas particularidades, nunca fomos os maiores confidentes uns dos outros, nunca fomos assim tão unidos. A falta de apoio e compreensão ao longo dos anos também veio a acumular a minha mágoa. A juntar todas as injustiças desde sempre, mais difícil fica de tolerar as coisas que se vão passando, quase impossível será esquecê-las. As coisas que me são ditas, mesmo que de cabeça quente, ficam guardadas numa má memória, acumulando com tantas outras, como uma ferida que nunca sara e que nunca me deixa seguir em frente.
Aqui sempre passei por isto, sempre cresci a lutar contra o que pensam de mim e contra as vezes em que me mandam abaixo ou sou posta à prova, mas cada vez mais as férias em casa são uma prova de resistência. Pioram com o facto de a idade ser outra, termina a minha tolerância, ninguém pode condicionar tanto (e de forma tão negativa) a minha vida. Estagná-la. Passou-se o tempo de aturar isto tudo e já só penso numa forma de não deixar que me façam infeliz.
Viver em família não é fácil, nem tão pouco há famílias perfeitas, mas para tudo existem limites e eu por aqui atingi os meus. Passei um mau bocado aqui este Verão, já pesquisava sobre depressões por esta internet fora, quando o meu objectivo destas férias não era outro senão descansar, sobretudo a minha cabeça stressada que começa a assustar-me bastante. O tempo passou-se e só piorei, e bastante, o meu estado, quando pensava que não me poderia sentir pior do que nos dias em que me matei para terminar os exames de fim de curso.
As últimas semanas foram terríveis para mim. Agora, já mais calma, sinto-me triste por ter perdido mais umas férias nisto.

Deposito todas as minhas esperanças na próxima semana, em que vou estar longe daqui. Quando regressar começo a preparar aquele que, espero, é o começo de uma nova vida.

2 comentários:

Storm disse...

Quando era mais nova (e já lá vão 29, o que me faz ver a vida por outra perspectiva) sonhava ter uma família perfeita, daquelas que vemos nos anúncios de televisão. Para começar, gostava de ter pelo menos um irmão. Depois, queria pais que se amassem. Que não discutissem e que não faltassem tanto ao respeito um ao outro como os meus. Queria uma família que tomasse o pequeno almoço juntos, que ceassem na noite de Natal juntos e que fossem à missa do galo juntos. Queria que houvesse Amor, Respeito, Diálogo, Amizade, Compreensão. Queria tanto, que invejava aqueles que me pareciam ter tudo o que eu queria. Depois... Bem, depois cresci e percebi que não há famílias perfeitas. Percebi também que esta família, tão imperfeita e que tanto consegue irritar-me, é a MINHA família e que, apesar dos imensos defeitos que tem, é a única que vou conhecer. Posso até criar a minha segunda família, com companheiro, filhos e sogros... Mas foi desta imperfeição que eu nasci e me tornei no que sou. Com todas as minhas qualidades e todos os meus defeitos! ;) Beijinhos!

Belicious disse...

Eu também sonho em construir a minha segunda família, bem diferente desta. Até lá, continuo a invejar as que são unidas, que se apoiam e que não vivem num constante teatro. É verdade que não escolhemos a família, é a única q temos, por isso vamos aguentando todas as irritações constantes e na esperança de q um dia sirvam para nos ensinar qualquer coisa.