segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Para mim chega

Quando pensas que já não pode piorar, eis que a tua faculdade bate no fundo.
A última semana foi a coisa mais triste que presenciei e estou segura de que não volto a fazer parte de uma coisa daquelas. Eu sei que tem vindo a piorar de ano para ano, eu sei que o que tinha de bom já não existe, sei que cada vez as gerações de alunos são mais deprimentes, mas não era preciso tanto.

Sei que os jovens que chegam todos os anos são "gerações morangos com açúcar", alguns até metem dó de ridículos que são, cabeças ocas, ideias vazias, objectivos estúpidos, comportamentos fúteis e o egocentrismo típico dos tempos que correm. Disto faz parte a necessidade absoluta de se mostrarem ao mundo, de tal forma desesperada que tentam as estratégias mais estúpidas de chamar a atenção.

Sei mais. Sei que os poucos que se aproveitam das novas gerações se perdem também logo na primeira semana. Isto porque são recebidos pelos piores exemplos possíveis, gente que já lá estava à espera porque a semana das praxes é aquelas em que são alguém. É a semana em que tanta gente ainda não sabe que afinal aquele gajo que manda não passa de um totó ou que aquela gaja muito má ainda há um ano chorava a ser praxada ou que aquele grupo de mandões nunca participou em praxes na vida e agora está ali de ar autoritário prontinho a sacrificar caloiros e à caça de afilhadinhas giras - sim, é que dizer que se tem afilhadas (e giras) é muito cool.

Sei que ninguém quer saber da essência "da coisa", está tudo entregue aos bichos, não há espírito, não há alegria, já não há festa, tudo ali é um jogo, tudo falso. E quanto a mim? Estou out. Não me esforço mais para nada disto, matem-se todos para aí, vivam de aparências e jogos que eu vou à minha vidinha, que por acaso não passa por nada disso.

[Já agora, para quem acha exagerado o "matem-se para aí", fiquem a saber que não tenho a culpa de ter tido a infelicidade de assistir à violência entre alunos na festa do gordão, ao very light à noite ali no meio, à porrada (literalmente falando) entre faculdades em pleno Rossio (sim, adorava estar a inventar, mas é nisto que consistem as praxes modernas) e ainda hoje à cena de luta entre dois alunos em plenos corredores de aulas. Muito bom!!!]

2 comentários:

Sofia disse...

Isto já não é o que era. Está tudo entregue à bicharada...

Mirth disse...

qual é o comando aqui do blogspot para sublinhar tudo o q está escrito neste post?! O pior de tudo é q o degredo só tende em continuar. A minha geração foi apelidada de geração rasca, de seguida a geração "à rasca", agora é a geração "oca"!